Há décadas, psicólogos e psiquiatras enfrentam o mito de que terapia é apenas para pessoas com problemas mentais. É muito comum se ouvir frases do tipo “não preciso de terapia, não estou louco”. Inclusive, dizer que alguém precisa desse tipo de tratamento pode até soar ofensivo a depender da ocasião.

Porém, as psicoterapias englobam aspectos que vão além de problemas mentais e envolvem o cotidiano de qualquer ser humano como questões familiares, pessoais, medos e desafios da vida em geral. Apesar de ainda haver certa rejeição a este método, aos poucos um movimento oposto tem surgido: uma desmistificação da psicoterapia.

O que é psicoterapia

Surgida no final do século XIX, a psicoterapia descreve um grupo de terapias voltadas ao tratamento de desordens psicológicas. O termo tem origem grega: psyche, que significa mente, e therapeuein, que significa curar. As psicoterapias são realizadas por um profissional especializado, que pode ser psicólogo ou psiquiatra.

A área de atuação dentro delas é bem abrangente: estima-se que existam pelo menos 200 tipos de abordagens, 7 delas só na psicanálise. Os profissionais se baseiam nessas abordagens, que funcionam como um roteiro que os ajuda a entenderem os problemas dos clientes.

Inclusive, há psicólogos e psiquiatras que utilizam mais de uma dessas abordagens ao paralelamente. O tipo de tratamento ideal para cada pessoa depende de diversos fatores: tanto pelo tipo de problema a ser tratado quanto crenças do paciente, entre alguns outros.

Independentemente da abordagem escolhida, não há dúvidas de que haverão certos processos a serem seguidos. Por exemplo, na terapia cognitivo-comportamental é comum que a consulta seja bem pragmática em relação ao desafio do paciente. Nessa linha, podem ser passados ao paciente alguns “deveres de casa” entre uma consulta e outra.

Mas, com tantas opções disponíveis, como descobrir a que é ideal para você?

Antes de mais nada, é importante pesquisar bastante, conversar com amigos que já fazem terapia, pedir indicações e fazer testes.

Mas qual a importância da terapia no mundo corporativo?

A saúde mental é um dos aspectos da saúde ocupacional. Como ser plenamente produtivo sem estar operando na sua melhor condição de saúde? É justamente nesse ponto que entra a grande contribuição da terapia para mundo do trabalho.

Tallis Gomes e Edmar Ferreira, CEOs e fundadores da Easy Taxi/Singu e Rock Content respectivamente, são alguns nomes que comentaram em entrevistas que fazem e, portanto, reconhecem o valor das terapias.

Quando a empresa investe em terapia para seus funcionários, ela está indiretamente investindo em produtividade a partir do autoconhecimento e bem-estar.

Algo interessante de notar é que a saúde mental escala!

A interação do indivíduo com os outros é contagiante e preenche o ambiente de trabalho com mais leveza.

Ambiente de trabalho leve e descontraído

Além disso – e apesar de não ser o ponto central – um bom efeito colateral desse investimento é  o ganho em atratividade de novos funcionários, uma vez que esse benefício é bastante valorizado por eles.

Um bom exemplo disso é a empresa inglesa Ribot que decidiu ter um psicólogo disponível para ajudar os funcionários a lidarem melhor com suas questões pessoais. Para um dos fundadores da empresa, dizer que as pessoas devem “deixar seus problemas da porta para fora” é equivocado.

“É errado pedir isso às pessoas, e mesmo que, em uma situação absurda, nós pedíssemos, ficaria surpreso se encontrasse alguém que conseguisse fazer isso com alguma consistência.” – Jerome Ribot.

Para ele, a empresa ter contratado um terapeuta significa admitir que, apesar das pessoas passarem boa parte do tempo no trabalho, elas também têm uma vida lá fora e que também possuem desafios pessoais, imprevistos ou qualquer problema simplesmente.

Já na série Billions, esse potencial é muito explorado por meio da personagem Wendy Rhoades, que é psiquiatra e ajuda funcionários de uma empresa a terem alta performance.

Por outro lado, um fato que é contra intuitivo e que pode surpreender a muitos nesse contexto, é que a terapia no trabalho não é uma novidade. Muito pelo contrário, já era uma prática comum em Wall Street desde os anos 1990.

Lá, em um ambiente tão competitivo do jeito que é, psiquiatras, psicólogos e coaches de alta performance já ajudavam profissionais a desempenharem melhor o seu trabalho.

5 motivos pelos quais a terapia pode ser uma arma poderosa para o seu desenvolvimento profissional

Pessoas ambiciosas estão sempre buscando desenvolvimento profissional, evoluírem na carreira e serem promovidas.

Se você é uma delas, a terapia pode ser justamente o seu diferencial.

A seguir, entenda os principais motivos disso:

1. Ganhar autoconhecimento

Ganho de autoconhecimento e confiança

Às vezes, o que é sucesso profissional para você pode não ser para outra pessoa. Por meio do autoconhecimento, que faz parte do processo terapêutico, conseguimos descobrir quais são nossos desejos e perseguir o que nos faz mais sentido. Em muitos casos, vários profissionais talentosos “patinam” ou deixam de explorar todo o seu potencial justamente por falta dessa consciência.

Isso acontece muito quando os profissionais ficam investindo cegamente mais recursos em melhorar habilidades que claramente são seus pontos fracos, em vez de apostar as fichas naquilo que nasce com mais facilidade deles.

Nesse ínterim, acabam assumindo responsabilidades que possuem como base uma dessas habilidades que não são seus talentos. Isso geralmente leva a altos níveis de ansiedade que prejudicam sua saúde mental.

O profissional passa a viver com a sensação de que está pisando em cascas de ovos, até que os resultados ruins evidenciam sua limitação. Se seu gestor for maduro o suficiente, ele pode até fazer essa leitura e realocá-lo de volta na posição de competência comprovada. Se não tiver essa sorte, pode ser o momento de “passar no RH”. Em razão de tudo isso, ganhar autoconhecimento na vida profissional é essencial.

2. Ter mais inteligência emocional

Mesmo que inteligência artificial – artificial mesmo, não emocional – esteja “trendando”, a habilidade de lidar com emoções – a inteligência emocional – também continua aparecendo no páreo nas listas das habilidades mais requisitadas para os profissionais do futuro.

Em termos de escopo, a inteligência emocional é interdisciplinar. Ela envolve diversas competências, como autoconhecimento, controle das emoções, empatia, motivação e facilidade para construir relações interpessoais.

A definição que considero mais interessante dela é “a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, avaliando-os e lidando com eles”.

No ambiente profissional, tal habilidade é de suma importância. Trata-se de uma das habilidades base das lideranças e outros cargos que precisam lidar diretamente com pessoas no cotidiano, bem como tomar muitas decisões.

Por mais que os robôs torem-se presentes cada vez mais no dia a dia, os seres humanos devem continuar sendo bem melhores que as máquinas em se relacionar com outros humanos, pois a forma como trocamos emoções é muito complexa, sutil e única.

Na hora de desenvolvê-la, a terapia é muito efetiva, pois fornece ferramentas que são decisivas para colocar em prática no dia a dia –  e de forma personalizada – os pilares que compõem a inteligência emocional.

3. Menos ansiedade, mais produtividade e mais confiança

Conforme citado no texto “A estreita relação entre ansiedade e desempenho no trabalho“, a ansiedade tem forte correlação com o ambiente de trabalho, principalmente aqueles com metas agressivas. Quando o funcionário se torna menos ansioso, sua concentração aumenta, permitindo fazer entregas melhores.

Esses resultados trazem confiança e autoestima, deixando-o mais confiante e pronto para enfrentar outros desafios que podem estar a caminho. Nesse sentido, a terapia é bastante assertiva para fazer o paciente enxergar quais são as fontes de ansiedade que estão gerando esse estado.

Uma vez identificadas as raízes da ansiedade, a terapia oferecer técnicas para eliminá-las ou, no mínimo, reduzi-las a um nível gerenciável.

Mesmo se você só sinta um certo nível de ansiedade, procurar ajuda especializada também pode fazer as coisas fluírem melhor. Muitas vezes de uma forma que você nem imaginava ser possível.

4. Lidar melhor com questões pessoais

Pela quantidade de tempo que as pessoas passam na empresa, é comum que relações profissionais e pessoais acabem se misturando. Mesmo se não passassem muito tempo, o simples fato de que o ser humano pertencente a uma família é o mesmo que está no ambiente de trabalho, já justificaria a interferência tanto positiva ou negativa que as relações familiares têm sobre sua capacidade de trabalho.

Conflitos de relacionamento, desafios financeiros, questões de saúde e diversos outros fatores do dia-a-dia da esfera individual, familiar ou comunitária podem gerar tensões psicológicas que serão carregadas pelo indivíduo para o trabalho.

Ao longo do tempo, esses pequenos conflitos vão consumindo energia mental e diminuindo a produtividade, além de poderem resultar em conflitos nas relações com os colega, tornando o clima da empresa mais pesado. Não podemos perder de vista que uma empresa é feita de indivíduos, que já trazem seus problemas e traumas da vida como um todo.

Com o tempo, a soma dessas questões pode atrapalhar o profissional de forma silenciosa. Ele simplesmente não percebe as amarras emocionais que estão represando seu potencial. Em razão disso, é muito inteligente da parte da empresa ajudar seus profissionais nesses desafios, ainda que eles ultrapassem o contexto organizacional.

No fim das contas, é uma relação ganha-ganha para todos os envolvidos. Os funcionários mais felizes são mais produtivos e os que mais melhoram o clima da empresa, o que cria um ciclo virtuoso de produtividade e bem-estar.

Sabemos, infelizmente, que nem todos os negócios têm essa visão. Nesse caso, a iniciativa pode partir também do profissional, que pode procurar ajuda para si, dar sugestões à área de gestão de pessoas, dentre outras iniciativas.

5. Ser mais feliz em geral

Todos esses benefícios emocionais que a terapia traz, por fim, resultam em uma pessoa mais feliz e satisfeita consigo mesmo. Com mais autoconhecimento, controle das suas emoções e produtividade. Você, sem dúvida, passará mais confiança, contribuirá para um clima de trabalho agradável e ainda vai melhorar sua relação com outras pessoas. Sem dúvida isso se refletirá em mais disposição e energia para alcançar seus objetivos profissionais.

Conclusão

Aproveite que ainda não é tendência e que pouca gente está realmente olhando para a terapia como um recurso diferencial em suas carreiras. De fato, ela pode ser a arma secreta do seu desenvolvimento profissional e pessoal. Quanto antes você começar, mais cedo vai colher os benefícios e passar a ter uma vantagem competitiva na sua trajetória. O timing é importante, ainda mais no mundo dos negócios.